Médicos e enfermeiros aplicarão eutanásia a domicílio na Holanda

Acaba de ser inaugurada na Holanda uma clínica de eutanásia que funcionará por meio de unidades móveis, e a previsão é de que em meados desse ano ela já tenha um centro médico para realizar a prática. Seis médicos acompanhados de enfermeiros se encarregarão de visitar doentes sem chance de cura para praticar eutanásia na Holanda.

"Já recebemos vários pedidos de eutanásia", disse à agência EFE Walburg de Jong, a porta-voz da Associação para a Morte Voluntária na Holanda (NVVE - Nederlandse Vereniging voor een Vrijwillig Levenseinde), que financia a clínica. Ele explica que equipes móveis atenderão pessoas que tenham os requisitos para que se pratique a eutanásia. Estas equipes móveis, compostas por um médico acompanhado de uma enfermeira visitarão doentes em toda a Holanda. Se os doentes tiverem os requisitos necessários esses médicos praticarão a eutanásia, procedimento que os médicos de família muitas vezes recusaram-se a realizar, seja por motivos éticos, por falta de experiência ou medo de não cumprir todos os preceitos definidos pela lei", disse Jong.

Este projeto, aprovado pelo ministério holandês de Saúde, é criticado por uma das principais associações de médicos do país, que teme que as equipes não conheçam suficientemente os pacientes para avaliar a situação deles de maneira correta. Segundo a NVVE, cerca de 3,1 mil eutanásias são praticadas a cada ano na Holanda, primeiro país no mundo a legalizar esta prática, em abril de 2002. A NVVE calcula que receberá cerca de mil solicitações por ano, a maioria casos de doentes terminais com câncer. Os sócios da clínica frisaram o tempo todo que as seis equipes móveis se ajustarão à lei da eutanásia.

A eutanásia só é autorizada quando o paciente perde o pleno uso de suas faculdades e padece de sofrimentos insuportáveis por causa de uma enfermidade diagnosticada por um médico como incurável. Cada caso deve ser avaliado por uma das cinco comissões encarregadas de verificar se os critérios da lei foram respeitados.

Apesar do rigor da legislação, casos recentes causaram polêmica, como a vez, em 2011, em que uma mulher com demência avançada foi submetida à eutanásia. O caso não teve repercussões legais porque a mulher solicitou a prática por escrito quando ainda estava lúcida.

Em 2008, foi divulgado que 22 bebês com espinha bífida foram submetidos à eutanásia, embora a prática não seja autorizada em recém-nascidos.

A eutanásia é legalizada na Bélgica, Luxemburgo, Suíça e nos Estados Unidos nos Estados de Montana, Washington e Oregon.



Fonte:
Terra | AFP

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